31.7.13

Infância de Antigamente


Pés de árvore, pés no chão, bolhas de sabão.
Fruta fresca, bicho na goiaba, pastel na feira e garapa.
Corda, boneca, cantiga de roda, amigos reais - ainda não cogitávamos os virtuais.
Banho de chuva, de mangueira, banho quente na banheira.
Medo do homem do saco, do bicho papão, da bruxa malvada, da escuridão.
O dente caia ou era arrancado por linha - 
E mesmo assim, banguelas, sorríamos com a língua na janela.
Escola era para aprender, mesa para comer.
Nossa casa era um lar. Tudo tinha seu lugar.
Só não lembro com exatidão, o que me deixava mais contente:
A barra de chocolate ao leite ou o pote de sorvete.

24.7.13

Livrai-me, Senhor

da fúria da tristeza, da amargura da solidão.
da inveja, da inércia, da dor da desilusão. 
da avareza daquele que não estende a mão.
da maldade, da frieza que endurece o coração.
da cegueira do egoísta que sempre pensa ter razão.
da desventura de passar pela vida e não vivê-la com paixão.

22.7.13

de passado vivem os museus
de história, os livros que contam o que aconteceu
o que foi, era; o que era já morreu

que os olhos mirem o futuro
 e o coração almeje o que há detrás do muro
e que os pés se desprendam do porto, já que nada nos é seguro

18.7.13

Palavras

Leio revistas de trás pra frente. Leio capa, contracapa, dedicatória de livros. Leio bula de remédio, informações no frasco do shampoo. Gosto de quadrinhos, de clássicos, crônicas, poesias, entrevistas. Sorrio com textos alegres, choro com os tristes, vibro com os inteligentes. 

Leio um pouco de tudo e de tudo um pouco.

Eu amo palavras.

17.7.13

"Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem." 
|Millôr Fernandes|
Sim, Millôr, verdade. Essas não acordam ao nosso lado com mau hálito e descabeladas. Não expõem suas fraquezas, não deixam à mostra o pior de si. Falam baixo, são dóceis, sorriem e gesticulam graciosamente. De fato, são encantadoras. Praticamente perfeitas.

10.7.13

Rascunho

Tenho um sem fim de defeitos, uma série de falhas a serem trabalhadas.
Ainda assim, gosto do que vejo, pois sou possibilidades - pedra bruta a ser lapidada.
Sou rascunho de mim mesma, de uma história inacabada.