30.10.12

Cena Caipira

Arrastam-se os minutos contados pelo pêndulo do relógio preso à parede. 

O velho perdigueiro espanta a mosca inconveniente que teima em pousar no seu corpo estirado no piso frio da varanda.

O gato rajado - pelo branco natural de seus pelos e o encardido da terra vermelha do quintal - alonga-se, boceja e expõe a arcada formada por dentes pontiagudos, na tentativa inútil de afugentar o sono. Vencido, vira-se sobre o corpo e dorme encolhido no braço da mesma poltrona.

A menina balança as tranças, balança a rede, balança os pés. Embriagada pelo vai e vem, acaba dormindo também. 
O sol se curva atrás da cortina formada pelos montes e se despede de sua plateia recolhendo-se aos poucos, levando consigo seu longo e dourado manto.

Assim, chega a noite: na ponta dos pés, suave como uma bailarina, fundindo-se entre os últimos raios do astro rei e o brilho prata das estrelas.  

Aos poucos, quase não se vê mais nada; mas ao longe se ouve o coro formado pelo piado da coruja, o cri-cri-cri do grilo, o coaxar do sapo, o mugido do gado.

26.10.12

Que Bom!

Que bom que existe a beleza gratuita da natureza, o sorriso inocente da criança, o abanar da cauda do fiel amigo. Que bom que existe a poesia, o livro do bom escritor, o filme de amor. Que bom que existe o bom, o forte, o otimista e o justo. E quão bom é saber que o mal é ínfimo perto de tudo isso.