25.5.12

En Marche






meu bem, você perdeu. 
a fila andou, o trem passou.
meu bem, você não entendeu,
ainda não aprendeu. 
estação é ponto de embarque,
lugar de passagem
para quem segue viagem.




(mon amour, j'ai un problème:
quand je marche, je marche plus)

23.5.12

Maman Est Chez Le Coiffeur

Pense num filme que aborda questões como rupturas, perdas e seus respectivos traumas, sem ser piegas ou apelativo. "Maman Est Chez Le Coiffeur" (Mamãe Foi ao Cabeleireiro) conta a história de uma jornalista e mãe dedicada que, ao descobrir a traição e homossexualidade do marido, resolve mudar-se do Canadá para a Inglaterra a fim de trabalhar como correspondente em uma emissora de TV em Londres e sobreviver à ruína de seu casamento. Uma mulher que teve a ousadia, a coragem de deixar para trás três filhos pequenos em pleno ano de 1966. Por outro lado, três crianças que se veem desamparadas, reagindo cada uma à sua maneira a dor do abandono da própria mãe - maior referência de amor e proteção - e ainda, um pai perdido entre a culpa e a responsabilidade de criar sozinho os filhos. 

Um filme sensível que nos leva a um bocado de reflexões: por que algumas crianças são roubadas de sua infância? por que precisam passar por situações tão dolorosas, difíceis de serem suportadas até mesmo por adultos? que força é essa que mantem as pessoas firmes mesmo quando têm a impressão de que lhes falta o chão? por que as relações são tão frágeis e o ser humano tão suscetível à mudanças bruscas e repentinas?  

O filme foi gravado em 2008, mas a caracterização do ambiente e dos personagens foi tão bem feita, que nos remete convincentemente aos anos 60. A fotografia é fantástica e valoriza ainda mais a história bem elaborada e interpretada por um elenco que merece aplausos. 



(curiosidade: Elie Dupuis, no vídeo, é uma das crianças do filme)

15.5.12

Pobre Homem Rico

era inteligente, bem relacionado, 
bem sucedido, realizado. 
vida profissional e social irretocáveis.
uma trajetória fascinante.
voltava para casa na escuridão da noite, 
convencido de que era um homem brilhante.
mas no eco de sua casa grande, vazia de outros habitantes,
ouvia apenas o som dos próprios passos e da respiração ofegante.
olhar fixo na parede nua, admitia que não era feliz o bastante.
e só dormia de madrugada, depois da dose habitual de calmante,
enfiado em seu pijama caro, comprado em viagem distante.

10.5.12

Dos 'AIS' aos 'IS'






Sabe aquela música? Nunca mais ouvi.
As fotos que tiramos juntos? Nunca mais eu vi.
As mensagens que trocamos? Nunca mais as li.
Aquele nó na garganta? Engoli.
Deixei de ser o que era. Morri.
A partir dali, incrível, vivi.

8.5.12

Descaso (?)

o que desejava era simples demais, sem qualquer sofisticação.
e por ser um sonho assim, tão sem pompa e ostentação,
os deuses riam-se dela e não prestavam atenção
no que lhes pedia com a mais sincera devoção.

3.5.12

Tudo o Que Você Pode Imaginar é Real

Pensou em ser pássaro, queria voar.
E ainda que as asas fossem emprestadas, sentir-se dona do ar.
Voou em parapente, helicóptero, aeronave, foguete.
Mas mesmo com tanta paixão, tinha medo da falta de chão.
Suas mãos ficavam frias, suavam; sentia o coração disparar.
Desistiu do sonho de Ícaro, concluiu ser melhor sossegar.

Mas precisava de um novo sonho, ser diferente do rebanho. 
Resolveu então nadar, mas não como nada um humano.
Mergulhou em piscina, rio, aquário, oceano.
E optou por viver no mar, fazer dele seu habitat. 
Mesmo sem barbatana ou escama, decidiu que seria peixe.
Feliz da vida, contente, escolhera deixar de ser gente.

1.5.12

Mademoiselle Chambon

É só mais uma história de amor que como tantas outras não deu certo. Portanto, não foi a trama em si que me tocou a ponto de vir aqui registrar esse post, mas a suavidade do enredo, dos personagens, de Elgar interpretado no violino. Acho ainda que, de tudo, o que mais me sensibilizou foi a música final, "Septembre (Quel Joli Temps)", tão linda na voz de Barbara. A impressão que se tem é que o filme foi inspirado na letra ou a letra no filme - tanto faz - porque se fundem, se completam perfeitamente. 

Confesso, esse post é para mim mesma, para que daqui um tempo eu lembre dessa obra achada por acaso, quando zapeava pelos canais da TV numa noite fria de São Paulo




Septembre (Quel Joli Temps) by Barbara on Grooveshark

"... As flores já estão com as cores de setembro...
... Nunca as flores de maio pareceram tão belas...
... O amor vai embora, meu coração para. 
Que tempo bom para dizer adeus..."

- j'ai vu, j'ai aimé et j'ai pleuré -