24.3.12

Admirável Mundo Irreal

Cenário perfeito, ambiente dinâmico, mundo ideal. Não diria que é o mundo de Marlboro, porque ali já foi provado que os personagens morrem de câncer, mas talvez esteja muito próximo do de Caras, onde todo mundo é glitterati. Pessoas felizes, realizadas, que desconhecem o significado de insegurança, complexo, fracasso ou dor de barriga. Seres superiores, sempre sorridentes. Todos têm - ou pensam que têm - bom gosto, inteligência e cultura admirável. Gente que, assim como na canção do Roberto, quer ter um milhão de amigos (e alguns - bravo! - já chegaram lá). Mas, apesar de inseridos e bem relacionados no irretocável mundo virtual, do lado out da tela não estão sentados numa roda de amigos, mas sobre o duro chão das frustrações, amortecido pelo almofadado conformismo e acolhidos pelo abraço frio da solidão. Sabem que aqueles seus 937 amigos são amigos de ninguém, que seu amiguinho imaginário de infância era bem mais real que eles. Sabem também que a vida do lado de cá poderia (e deveria) ser mais agradável, pelo fato óbvio de ser verdadeira. Mas infelizmente o que não se dão conta é de que ela só não é porque não dá tempo de ser. A vida está ficando em segundo plano, perdendo espaço para o faz de conta, para o admirável mundo de ilusões. E eu, tão a favor das relações palpáveis, sinceras e de preferência duradouras, sinto muito por isso.


20.3.12

As Flores de Plástico não Morrem




Por que insistimos em regar apáticas flores de plástico, deixando-as boiar em água parada, espremidas dentro de vasos horrendos que mais entristecem do que alegram nossa vida com seu inanimado existir? Por que perdemos tempo observando-as dia após dia, se há lá fora um jardim repleto de vida, irrigado pelo orvalho da madrugada, que dança ao som do vento, sob o aconchego do sol? 

Veja bem, meu bem, as flores de plástico não morrem porque também não vivem.

6.3.12

Desapego? Não!

É de tanto as pessoas pregarem "pratique o desapego, pratique o desapego", que todo mundo anda egoísta, individualista, solitário, com medo de amar e ser amado. É por isso que muitos se fecham e vivem vidas mentirosas - sofrendo pelos cantos e sorrindo seus sorrisos amarelos aos quatro ventos, na intenção de transparecer uma felicidade que não existe. Levam uma vida vazia, rasa, superficial. Sofrem de ostracismo, são mal humorados, cheios de doenças da alma, dependentes de antidepressivos e insones. Apegam-se sim, mas às coisas materiais, inanimadas, ao eu. 

Deus me livre do desapego, da falta de amor! Quero estar perto de pessoas que me fazem bem, sentir falta delas quando estiverem longe. Preciso de voz, presença, afeto, carinho. Preciso de cúmplice, parceiro, ombro amigo e mão na minha mão. E mesmo que em algum momento o apego seja unilateral, mesmo que isso me doa e eu me decepcione, é assim, dessa forma, que sei e quero viver. É assim que me sinto humana, mulher, viva, verdadeira. Porque sofrer, a gente sofre de qualquer maneira, por um motivo ou outro. Então, prefiro arriscar - e se for pra chorar, que seja por amar, por me doar, por causa de gente. Portanto, eu digo não, não ao desapego.

1.3.12

Ninguém é Uma Ilha

Uma viagem sem emoção é apenas transferência de corpo de um lugar para outro.
Um coração sem amor é só uma parte do todo.
Inteligência sem sabedoria não passa de conhecimento morto.
Dinheiro no banco, sem bons motivos para desfrutar, 
nada mais é do que um bocado de papel - falsa sensação de bem estar.
Uma casa sem alegria? É só um teto, uma moradia.
Palavra sem atitude é eco, triste som sem melodia.
De que valem as realizações se não tiver com quem compartilhar?
Jamais estará repleto, se faltar alguém para amar.
Ah, não se iluda, não se engane! Nada tem valor sem companhia.
Porque ninguém, meu bem, ninguém é uma ilha.