30.10.12

Cena Caipira

Arrastam-se os minutos contados pelo pêndulo do relógio preso à parede. 

O velho perdigueiro espanta a mosca inconveniente que teima em pousar no seu corpo estirado no piso frio da varanda.

O gato rajado - pelo branco natural de seus pelos e o encardido da terra vermelha do quintal - alonga-se, boceja e expõe a arcada formada por dentes pontiagudos, na tentativa inútil de afugentar o sono. Vencido, vira-se sobre o corpo e dorme encolhido no braço da mesma poltrona.

A menina balança as tranças, balança a rede, balança os pés. Embriagada pelo vai e vem, acaba dormindo também. 
O sol se curva atrás da cortina formada pelos montes e se despede de sua plateia recolhendo-se aos poucos, levando consigo seu longo e dourado manto.

Assim, chega a noite: na ponta dos pés, suave como uma bailarina, fundindo-se entre os últimos raios do astro rei e o brilho prata das estrelas.  

Aos poucos, quase não se vê mais nada; mas ao longe se ouve o coro formado pelo piado da coruja, o cri-cri-cri do grilo, o coaxar do sapo, o mugido do gado.

3 comentários:

Rui Pascoal disse...

Quem assim escreve deveria fazê-lo com mais regularidade... entendeu?
:)

Gostei muito de a (re)ler.

Elliana Garcia disse...

Adorei o seu cantinho virtual. Estou seguindo.

Pedro Luis López Pérez disse...

Vengo del blog de Suzane Weck, y me ha encantado tu Rincón; por lo cual, si no te importa, me gustaría ser Seguidor de tan bello Espacio.
Un abrazo.