24.3.12

Admirável Mundo Irreal

Cenário perfeito, ambiente dinâmico, mundo ideal. Não diria que é o mundo de Marlboro, porque ali já foi provado que os personagens morrem de câncer, mas talvez esteja muito próximo do de Caras, onde todo mundo é glitterati. Pessoas felizes, realizadas, que desconhecem o significado de insegurança, complexo, fracasso ou dor de barriga. Seres superiores, sempre sorridentes. Todos têm - ou pensam que têm - bom gosto, inteligência e cultura admirável. Gente que, assim como na canção do Roberto, quer ter um milhão de amigos (e alguns - bravo! - já chegaram lá). Mas, apesar de inseridos e bem relacionados no irretocável mundo virtual, do lado out da tela não estão sentados numa roda de amigos, mas sobre o duro chão das frustrações, amortecido pelo almofadado conformismo e acolhidos pelo abraço frio da solidão. Sabem que aqueles seus 937 amigos são amigos de ninguém, que seu amiguinho imaginário de infância era bem mais real que eles. Sabem também que a vida do lado de cá poderia (e deveria) ser mais agradável, pelo fato óbvio de ser verdadeira. Mas infelizmente o que não se dão conta é de que ela só não é porque não dá tempo de ser. A vida está ficando em segundo plano, perdendo espaço para o faz de conta, para o admirável mundo de ilusões. E eu, tão a favor das relações palpáveis, sinceras e de preferência duradouras, sinto muito por isso.


5 comentários:

Franck disse...

Nossa, Amélie, fiquei aqui pensando no seu texto tão real no nosso cotidiano irreal...
Bjs (virtual)

Suzana Martins disse...

O que dizer?
Simplesmente nada.
Apenas 'ouço' em silêncio todas as suas palavras e guardo-as numa verdade de fatos...

Lindo!!

Beijos

Mari. disse...

E a carapuça me serve. Perfeitamente.
E aí a pergunta... Em quem essa carapuça não serve?

=)

maricotinha ♥ disse...

Admirável mundo novo, Amélie. O que é absurdo para nós, pessoinhas do século passado, é naturalmente normal para os mais novos!! Mas, um dia perceberão que quantidade é diferente de qualidade, morfológica e semânticamente. Xsss

Margot Félix disse...

Sabe que eu sinto uma falta enorme do tempo em que as pessoas sabiam sair de casa para encontrar os amigos? Sinto saudades do tempo em que podíamos falar de nossas vidas diretamente aos amigos, aliás... sinto falta da cumplicidade entre amigos (dos poucos e bons). Irremediável mundo novo.

Bjos!