19.4.11

Clausura

Tenho um pássaro enclausurado na alma. Algumas vezes, conforma-se com sua condição, mas na maior parte do tempo, não. Então rebela-se, grita e joga-se contra as grades que o limitam. Nasceu livre e precisa disso para viver. Viver de verdade, além de respirar.
E nesses dias, enfrento um grande conflito existencial. E dói. Dói na alma e acho que é ele, o pássaro, em revolta me ferindo. Então choro e tento confortar-nos, dizendo que isso é passageiro, que logo vai mudar - o tempo sempre resolve tudo, não é mesmo?

Perco o sono, rolo na cama. Ando pra lá e pra cá. Me pergunto: quando foi que permiti a gaiola, a chave, a clausura?

Com o peito apertado, sinto que ele, o pássaro, aos poucos vai sossegando - até que aninhado, dorme. Pego no sono também. Estamos cansados, mas não derrotados. Afinal, o tempo sempre resolve tudo, não é mesmo?

11.4.11

Grão de Areia

Quando penso que sei de quase tudo,
sou tragada pelas bravas ondas do oceano chamado vida.
Logo, sou obrigada a concluir que o muito que penso que sei,  
é como um pequeno grão de areia
diante da imensidão do que ainda tenho que aprender.
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Escrevi esse texto no ínicio, quando resolvi criar o blog (era o subtítulo). Com o passar do tempo, fui mudando o template e o texto acabou sendo excluído e caiu no esquecimento. Hoje, lembrei "das origens" e deu saudade. Resolvi postá-lo.

7.4.11

Paix

Paz é pôr a cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos: nada me acorda na madrugada ou me rouba dos bons sonhos. Os monstros do passado não existem - ou eles dormem em respeito ao meu relógio biológico. Os problemas esperam até o amanhecer: eles também zelam pelo meu sagrado horário de descanso. Paz é amar. Amar da forma como se entende o amor. Paz é sorrir. É entender que nem tudo é perfeito, mas que nada é suficientemente grande para te arrancar a tranquilidade. Paz é ver o mundo cair, mas manter-se firme, inabalável como a rocha. Paz é ter esperança, é crer - mesmo quando todos te chamam de louco e zombam de você. Paz é manter os pés no chão, enquanto a cabeça passeia entre as nuvens. Paz é liberdade. É mudar de ideia. É ir e vir, ficar ou voltar. Paz é ser e deixar que sejam. Paz é respeito por si e pelo espaço do próximo. É divergir, mas ouvir. É aceitar. Entender que as diferenças existem para enriquecer. Paz é o branco, o azul, o rosa - é a cor que você quiser. É o vento. Paz é a chuva e também a tempestade (por que não?). Paz é o sol que aquece. É o sorriso despretensioso e a palavra sincera. É a lágrima solta irrigando a face. É o abraço apertado e longo. Paz é o sangue correndo nas veias, diferente do derramado ao chão. Paz é essa palavra pequena de significado gigante. Paz é um velho sábio em corpo de criança. 





A paz é uma verdade em sua vida? Ou é um desejo, uma busca, algo inatingível?

Quanto a mim, diria que muitas vezes até suspirei por senti-la profundamente, mas nem sempre somos tão cúmplices. Procuro cativá-la para que não tenha vontade de partir, mas se ela se for, que seja por pouco tempo e à curta distância.