20.10.11

A (in) Sustentável Leveza do Ser


O que me rasga os lábios nos melhores sorrisos? O que me eleva ao céu, me põe sentada sobre as nuvens? O que é isso, que de tão bom, tem o poder de me fazer levitar? 

O que me faz triste, me faz desacreditar? O que me põe pra baixo, me acorrenta ao chão? O que é isso, que como um fardo, pesa sobre minha cabeça?

O filósofo Parmênides (cerca de 530 a.C. - 460 a.C.) comparava as qualidades umas com as outras - o frio era a ausência de calor; as trevas, a ausência de luz; o peso, a ausência de leveza. Dessa forma, concluia que a segunda nada mais era do que a negação da primeira e, portanto, nosso mundo era dividido em duas esferas: a das qualidades positivas e a das qualidades negativas. 

Com base nessa filosofia, respondo as questões que coloquei acima: o que me deixa pra baixo são os agentes oportunistas, que entram na minha vida através das lacunas deixadas por descuido. Em contrapartida, o que me eleva o espírito são as pessoas queridas, momentos especiais, valores sem os quais não faria sentido viver; e estes, podem ser traduzidos como luz, leveza, calor - são os itens que fazem parte da esfera boa, das qualidades positivas mencionadas por Parmênides.

Cabe a mim filtrar esses itens, separar o joio do trigo. Fica o que é bom, o que está em cima da peneira. O que sobra é resto, bagagem desnecessária - é peso que me impede de alçar voo.


De forma alegre/descontraída, esse video traduz  - pra mim - um pouco do que significa a palavra leveza (para melhor assistí-lo, pare a reprodução das músicas na coluna ao lado).

12 comentários:

Luzia Trindade disse...

O que faz bem é leve!
Adorei o texto =)

Artur César disse...

Interessantíssimo seu post, concordo com a sua conclusão! Mas ai vem Nietzche em A Gaia Ciência vem com aquele pensamento profundo e um pouco aterrorador do Eteno Retorno (ate mesmo Milan Kundera cita isso nas primeiras paginas de A Insustentável Leveza do Ser)

"Com O Eterno Retorno, Nietzsche questiona a ordem das coisas, indica um mundo não feito de polos opostos, e inconciliáveis, mas de faces complementares de uma mesma e múltiplas, e única realidade. Logo bem e mal, angústia e prazer são instâncias complementares da realidade(...)"

esse concei é interessante pq faz a gente pensar: amamos ou não a vida? Se tudo irá se repetir um dia, queremos mesmo repetir isso infinitas vezes? Tudo na mesma forma e intensidade sem alteração ao longo da eternidade?
Amamos assim esse conceito de destino? "A grande indagação que é o Amor Fati (Amor ao Destino) contido no Eterno Retorno"

Bom para mim (Artur) a resposta (mesmo com aquela visão angustiante do viver) ainda é sim, essa vida, ate agora vale muito apena ter vivida, enquanto aos Retornos já passados e os que ainda estão por vir... que venham!

nossa seu post me deixou muito reflexivo hehe acho que já dissertei de mais!
beijo, Artur

Au Revoir

Artur César disse...

Ps: Gostei muito do video do Tango da dançarina ótimo dei risada, compartilhei no face! =]

Anônimo disse...

http://www.vagalume.com.br/edith-piaf/je-men-fous-pas-mal.html#ixzz1bNMUOob9

nilson oliveira disse...

Talvez este seja o maior desafio: lidar com a leveza dos sentimentos. Prestar atenção para lacunas que nos fragilizam e expõem... E fazer tudo isso sem perder o brilho de humanidade nos olhos, sem desistir do amor, sem desistir do sentido da vida.

Luna Sanchez disse...

O que me faz feliz também me faz forte.

Um beijo.

Karla Dias disse...

Escrevi um texto pensando nessa temática esses dias...viva a leveza. Beijos

Super Lana disse...

q lindo post....
ás vezes entro no seu blog
e parece que sinto o gosto de paris...cidade luz..
Um dia hei de conhecer!!

Bjuss

Como as Cerejas da Minha Janela... disse...

Adorei Parmênides! amo filosofia.

É isso, Amelinha...nossa vida é feita do peso ou da leveza que resolvemos carregar em nossas malas...nossas bagagens...

Lindíssimo texto, cheio, recheado de sabedoria...

Beijos com carinho...muito...
Liz

Ai, amei esse vídeo, esse tango, essa dança...essa leveza...amo tango...D+!!!

Como as Cerejas da Minha Janela... disse...

Quanto ao comentário do Arthur:

Nietzsche tinha razão, mas é uma verdade ou um conceito difícil para a humanidade assimilar...por isso, Nietzsche desistiu dela, da humanidade...e foi falar com Zaratustra...só não chegou a hora...

Beijinhos, San!!!

vanessa cony disse...

Poupée...Entender a vida e suas nuances é realmente difícil,principalmente quando olhamos de dentro.Talvez seja mais fácil para os filósofos que ,com olhar mais apurado,conseguem perceber no meio de tudo,o que dizem as entrelinhas da vida.
O que tenho então é a esperança em acreditar na generosidade da vida,nas qualidades positivas e na força que Deus nos oferece para enfrentar todo o contrário.
Vamos voar...
Beijo no teu coração.

Ruby disse...

Texto maravilhoso. Tenho medo de gente oportunista e sempre busco visão pra separar o joio do trigo.