11.9.11

Testemunha Ocular



Ainda ardia em sua pele o toque daquelas mãos. Tinha no semblante as marcas do que fora a noite anterior. Entregara seu corpo à loucura, dormira um sono pesado nos braços de quem não merecia. Pesado estava também seu coração, que carregava as consequências da (des)aventura.

Debaixo de água quente, mergulhou corpo e alma. Lavou-se freneticamente; enxaguou-se em água corrente. Queria apagar as digitais do episódio indigesto. Daquela noite não queria vestígios; daquela história não queria lembranças. Mas, ainda teria que matar à unha um último leão: voltaria à cena do (des)encontro. Precisava resgatar um objeto de grande valor, a única testemunha - o colar - que assistira num canto, calado, o crime que tão cruelmente ela cometera contra si mesma.

5 comentários:

Menina no Sotão disse...

As cenas foram acontecendo e eu fui presenciando os desaforos de uma pele mergulhada em si mesma. Resgatar o colar ou a si mesma? Pergunto eu...

bacio

Aline Barra disse...

Eita! Concordo com a "Menina no Sotão", e noto um comovente resgate de eu's!

Abraços,

Rui Pascoal disse...

Dizem que "o criminoso" volta sempre ao local do crime...

Se colocarmos num dos pratos da balança esse objecto de grande valor e no outro a alma dessa mulher, para que lado aponta o fiel?

Por mim (não quebrava o verniz das unhas) poupava o leão.
:)

placco araujo disse...

É como se fosse uma auto-punição, e não o resgate do bem..
Pois sem buscá-lo, poderia em algum momento achar que tinha sido só um sonho (ou pesadelo no caso).
Espero que seja só liberdade poética..

Beijos, moça do sorriso lindo.

maricotinha ♥ disse...

Haha... perfeito!