18.7.11

Das Muitas Mortes

Há alguns dias, terminei de ler "À Espera da Neve em Havana", do cubano Carlos Eire. Gostei de toda a narrativa, mas os últimos capítulos não saem da minha cabeça desde que fechei aquele livro.

Se não me engano, são os três últimos. Ali, o autor - e também personagem principal do livro - em alguns techos, fala a respeito da morte. Não de quando paramos de respirar e a vida chega ao seu final, mas daquelas mortes pelas quais passamos em vida: morte que nos enlaça nas mudanças bruscas de percurso, da advinda de perdas, renúncias, reviravoltas, desengaños. Fala também de algumas verdades que precisam ser enterradas, caso contrário, daremos chance para que elas nos enterrem. E sobre esta, o autor diz:

"[...] sacrifico verdades dolorosas constantemente, sobretudo a meu respeito, e as enterro sem ler suas entranhas antes. É um modo de sobrevivência que aprendi em pleno curso, quando meu mundo foi reduzido a nada, pedaço por pedaço."

Confesso que, vítima ou autora, já morri muitas vezes nessa vida. E sem querer ser pessimista, sei que morrerei algumas outras.

Recomendo - o livro, obviamente. Quanto às mortes, veja você se precisará passar por elas.                                                                         

"Há muitas maneiras de morrer. Só uma é definitiva, claro. Mas antes que uma delas o derrube de vez, muitas outras acontecem, como ondas na praia."

"E percebo que já não sou mais o mesmo e nunca serei."

"E no dia em que deixei aquela casa, morri de novo. E fui enterrado um pouco mais fundo, dessa vez."

"A morte pode ser linda. E acordar é ainda mais lindo. Mesmo quando  o mundo mudou. Principalmente quando o mundo mudou."

8 comentários:

a**A disse...

Minha nossa! Hoje mesmo volto com esse livro pra casa, preciso..rs! BjO*

Karla Dias disse...

Olá

Não conheço esse livro, procurarei para ler. Mas o que fala sobre a morte é interessante, morremos em vários momentos de nossa vida. Como trocar de pele é um amadurecimento.
Boa semana]

Beijos

Helcio Maia disse...

Morrem minhas certezas, morrem minhas eternidades, desmascaradas em trágica fugacidade. Mortes necessárias, que permitem o nascimento de auroras, reais, surreais e boreais!

Martini Bianco disse...

Muito interessante! Tenho muito interesse nesse tema e creio que também já morri algumas vezes.

Vou ver se o encontro por aqui.
Obrigada pela sugestão.

beijos :)

Antonio Machado disse...

Eu já morri 13 vezes e espero fazer valer a minha última vida para quando dela me separar pela última morte eu seja lembrado e desse modo tenha me tornado imortal.
Uma boa vida para você Amélie!

Folhetim Cultural disse...

Olá sou Magno Oliveira responsável pelo Blog Folhetim Cultural, convido lhe hoje a conhecer o nosso blog, que tem além de notícias, tem também atrações culturais. Como poesia, contos, crônicas e muito mais...
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Sentimental ♥ disse...

alguém já me disse q todo dia se morre um pouco...

Lizete Delmonte Ferraz disse...

Nossa, um pouquinho do livro e já amei!
BOa indicação. Vou ler.
bjs