27.9.10

Uma História de Amor

Sempre quis tocar piano. Imaginava uma sala ampla, iluminada por uma janela muito limpa e reluzente, e ali, disposto majestosamente, um piano de cauda Steinway.

Muitas vezes, nessa sala imaginária, à luz do luar, eu tocava com os olhos fechados (porque em sonho, eu dominava as teclas de marfim e ébano, além dos pedais do piano preto. De cauda. Steinway, claro!), as composições de Beethoven, Mozart, Chopin, Bach, Schumann. 

Um sonho! Um doce delírio! Mas, eu acreditava piamente: um dia, tudo isso será realidade.

Bem que tentei. Comecei a estudá-lo aos 12 anos. Estava na 6ª série. Uma menina magrela, com dedos longos e finos. Mãos de pianista, como diziam.

Foi uma loucura, uma verdadeira saga, encontrar o tal do "The Leila Fletcher Piano Course - Book 1". Lembro-me nitidamente: ele tinha a capa laranja e seu conteúdo era composto por canções infantis, americanas. Encapei-o com Contact transparente, e uma colega chinesa, da minha sala, desenhou uma menina-mangá na contracapa. Seus grandes olhos pareciam brilhar e o vestido era cheio de babados. O desenho tinha vida! E estava ali, estampado no meu primeiro (tempos depois constatado: e último) livro de piano.

Entusiasmadíssima, não faltava às duas aulas semanais. Era uma alegria e tanto quando conseguia tocar alguma coisa. A euforia durou quase um ano. Meu professor, querido maestro Dino Nolasco, foi embora de São Paulo e eu parei. Simplesmente parei de estudar piano. O tempo foi passando e eu dizia: "vou voltar". Mas, nunca voltei.

Continuo amando pianos, pianistas e afins, mas hoje, tenho outra certeza (bem diferente daquela que eu tinha aos 12 anos): nunca vou tocar como sonhei um dia - olhos fechados, as 88 teclas e 3 pedais sob meu completo domínio.

Foi um sonho. Um doce delírio.

24.9.10

Não Olhes

Então tá combinado:

você fica aí dentro e eu sigo por aí afora.

Se vou chorar? Não, não vou.

Prometo - dessa vez agirei com serenidade.


"Não olhes: é a noite
completa que tomba.
Não olhes: é a estrada
que, súbito, acaba.
Não olhes: é o anjo,
teu anjo que chora.
Não olhes."
|Emílio Moura|

22.9.10

A Filha do Coveiro

Estou lendo, ainda no começo (96 páginas de 599), "A Filha do Coveiro", mas já quero deixar registrado que é uma obra incrível. Há trechos que me fazem rir, e outros, refletir profundamente. Há aqueles que gosto tanto, que leio mais duas ou três vezes para sentir seu efeito de forma mais intensa. Enfim, estou amando!

Trata-se de um romance épico, que conta a saga de uma mulher em busca da redenção.
Nascida na década de 30, em uma família que foge da alemanha nazista de Hitler, rumo aos "U-Esse", Rebecca é uma mulher que carrega cicatrizes de uma vida permeada por muita humilhação, discriminação e maus tratos, inclusive familiar. Cresce ao lado de seus dois irmãos mais velhos, da mãe - uma mulher "não muito boa das ideias" -, num chalé dentro do cemitério de Milburn, NY, onde seu pai é o coveiro.
Embora seja uma obra de ficção, o livro é baseado na história da avó da autora (Joyce Carol Oates), para quem ela dedica o livro: "para minha avó, Blan­che Mor­gen­stern, a 'filha do coveiro' - IN MEMORIAN".  

|Joyce Ca­rol Oa­tes|

"Os ratos também tinham devorado seu sexo. Onde um dia haviam ficado seus orgãos genitais existia agora algo inútil, um fruto apodrecido. Patético, cômico. Por essa maçaneta de carne ele conseguia urinar, às vezes com dificuldade. Ah, já era o bastante!"
 

"No navio, a gente tinha que comer o que nos davam. Comida estragada, com caruncho e barata. A gente tirava eles, pisava em cima e continuava comendo, porque a fome era grande. Ou isso, ou a gente morria de fome."

"- A humanidade tem medo da morte, sabe? Por isso, faz piadas sobre ela. Eles vêem em mim um servo da morte. Em você, a filha desse servo. Mas eles não nos conhecem, Rebecca. Nem a você, nem a mim. Esconda deles a sua fraqueza, e um dia nós nos vingaremos. Dos inimigos que zombam de nós."

14.9.10

Somatização

E o corpo expõe aquilo que a alma tem vergonha de deixar transparecer.
E o corpo desfaz a falsa fortaleza que a alma mantém como aparência.
E o corpo sofre aquilo que a alma não aguenta mais carregar.
Porque o corpo é espelho de tudo o que está por dentro.
E o corpo grita o que a alma insiste em calar.


12.9.10

E o Coração Nunca Mais Foi o Mesmo



E o coração nunca mais foi o ...
E o coração nunca mais foi ...
E o coração nunca mais ...
E o coração nunca ...
E o coração ...
E o ...
E ...
:
.
E o coração?
Nunca, nunca mais foi o mesmo.

8.9.10

Não Vale a Pena

Quantas vezes por medo de uma dor futura,

                 acabamos sofrendo mais e por mais tempo.    

Sofremos antes, aquilo que talvez nem sofreríamos (tanto) lá na frente.


  Sofrimento antecipado = dor multiplicada = vida desperdiçada.  

        MENOS paz, menos sorrisos, MENOS liberdade, menos saúde.                                           

Vale a pena?  É certo que NÃO.

7.9.10

Tensão ou Loucura?

Sexta passada fui ao  dentista e contei que  tenho dormido com a mandíbula  travada,  que tenho apoiado as mãos sob o maxilar durante o sono e acordado com essa região tensa e dolorida, além de morder a bochecha algumas vezes quando estou mastigando.

Ele disse que está tudo bem com a minha mordida e tudo isso que descrevi tem um nome: bruxismo. Disse que 85% dos casos é de fundo emocional, e portanto, eu deveria consultar um psicólogo.

Meu... será?!

Acho que no fundo, no fundo, ele tem razão. C'est vrai.

3.9.10

Recordações e Nada Mais

Sempre tive uma visão romântica da vida. Desde  muito pequena, gostava de  brincar de casinha. Os personagens tinham nome e sobrenome e eu vivia aquela fantasia como se fosse verdade. Perdia a noção do tempo entre panelinhas, bonecas e suas roupinhas. E acreditem: até os 13 anos eu ainda brincava com minhas bonecas.

Mas eu não era só romance. Também fui arteira e dei trabalho pra caramba - subia em árvores, gostava de andar sem camiseta e falar que  era menino (tinha adoração por eles!), descia minha rua num carrinho de rolimã e até hoje carrego algumas cicatrizes por causa de um tombo que tomei dessa engenhoca. Apanhei algumas vezes e ficava de castigo quase sempre.

Beijei na boca pela primeira vez aos 7 anos (sim, também acho muito precoce), mas a única coisa que senti, me recordo bem, foi o gosto da saliva do garoto. Fiquei com tanto nojo e raiva do pobrezinho, que por alguns dias evitei ir à rua - não queria vê-lo nem pintado de ouro.

Cantava e dançava em frente ao espelho, e nessas horas de artista, sempre tinha um lenço amarrado na cintura ou na cabeça, e claro, um batom vermelho nos lábios.

Adorava o Sítio do Pica Pau Amarelo, mas morria de medo da Cuca e do Minotauro. Assistia As Panteras, Poderosa Isis e O Elo Perdido, sem contar os muitos desenhos animados, como: Os Flintstones, Speed Racer e A Corrida Maluca.

Aí veio a adolescência e com ela muita coisa mudou. Ouvia, cantava e dançava a sofrível música do Menudo. É, eu não me reprimia! Tempos depois, foi a vez do RPM. Comprava os LPs, colecionava figurinhas, posters, revistas e até jornais que tivessem mesmo que uma pequena nota a respeito dos meus ídolos.

Meus tênis tinham que ser Nike e eu adorava a Benetton. Não aceitava de jeito nenhum usar o que não fosse 'de marca'.

E tem mais! Até a 8ª série, eu era ótima em matemática, depois desandei e nunca mais fui a mesma - nunca mais nos entendemos muito bem.

Há tempos essa fase passou, e embora nem tudo tenha sido perfeito em minha infância e adolescência, sinto muita saudade desse tempo mágico de inocência e descobertas.

2.9.10

Une Chanson

Ao fundo uma música. Fecho os olhos e me imagino dançando.
A melodia me embala e eu, solta em seus braços, me deixo levar.
E vou. Vou para distante da realidade. Vou para dentro daquela canção.

A letra é envolvente e fala de uma alegria sem fim.
Eu quero ficar aqui, ou melhor, ali.
Por favor, música, não pare! Não faça isso comigo!

Por garantia, acho melhor acionar o repeat.







Une chanson
Pour t'ouvrir mon cœur
Je voulais cette chanson