18.6.10

Le Temps Qui Reste

Quanto tempo? Quanto tempo ainda?
Anos, dias, horas? Quanto?
Quando penso nisso, como me bate o coração.
Meu país é a vida.
Quanto tempo ainda? Quanto?
Eu amo tanto o tempo que me resta!
Quero rir, correr, chorar, falar, e ver e crer, e beber, dançar,
gritar, comer, nadar, saltar, desobedecer.
Eu não acabei, eu não acabei.
Voar, cantar, partir, voltar a partir, sofrer, amar.
Eu amo tanto o tempo que me resta!

Já não sei mais onde nasci, nem quando.
Sei que não foi há muito tempo e que meu país é a vida.
Eu também sei que meu pai dizia:
“O tempo é como o seu pão. Guarde um pouco para amanhã”.
Ainda tenho o pão. Ainda tenho tempo, mas, quanto?
Quero brincar ainda, quero rir às gargalhadas.
Quero chorar rios de lágrimas.
Quero beber barcos inteiros de vinho, de Bordeaux e da Itália.
Quero dançar, gritar, voar, nadar em todos os oceanos.
Eu não acabei, eu não acabei.
Quero cantar. Quero falar até ficar sem voz.
Eu amo tanto o tempo que me resta!

Quanto tempo? Quanto tempo ainda?
Anos, dias, horas, quanto?
Quero as histórias, as viagens.
Tenho tanta gente a ver, tantas imagens.
De crianças, de mulheres, de grandes homens,
de pequenos homens, engraçados, tristes, muito inteligentes, bobos.
Que engraçado, os bobos me rodeiam,
Como as folhas entre as rosas.

Quanto tempo? Quanto tempo ainda?
Anos, dias, horas, quanto?
Não me importo, meu amor.
Quando a orquestra parar, continuarei dançando.
Quando os aviões não mais voarem, eu voarei sozinho.
Quando o tempo parar, eu a amarei ainda.
Eu não sei onde, eu não sei como,
mas eu ainda a amarei.
Está bem?
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Leu? Agora ouça na voz de Serge Reggiani, em francês. É lindo!
(para ouvir sem interferência, pare minha playlist. Na barra lateral, ali ó... à direita)

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Do filme “Deux Jours à Tuer/ Dois Dias Para Esquecer”
França, 2008 - Gênero: Drama - Direção: Jean Becker
(assista, por favor, assista!)

14.6.10

I'm a Survivor

Dia 13. Sobrevivi ao "12 de junho"... again.

Foi com muita luta que ontem levantei e fui tomar banho. Em São Paulo tem feito um frio do *&%$#@!, não dá vontade nem de sair da cama. Pra entrar debaixo do chuveiro foi um deusnosacuda. Só depois de muito vapor no banheiro e alguns pulinhos, tive coragem de tirar a roupa. Durante o ritual de cremes, secador e várias peças de roupa a serem vestidas, comecei a pensar: caramba, há dois anos passo o dia dos namorados sozinha. Será que isso é normal? Será que EU sou normal?

No ano passado, pouco antes dessa data, estava namorando. A relação era recente e pelo o que tudo indicava, não ia decolar. Pensando na questão de quanto menor o tempo, menor o vínculo, menor a dor - menor, menor, menor - resolvemos terminar.

Nesse ano, bem, nesse ano não foi muito diferente. Continuo oficialmente sozinha e acho melhor nem entrar nos pormenores, oquei? Okay.

O dia 12 foi curto. Acordei beeem tarde, e claro, não rendeu. Não fiz quase nada de útil, mas ele acabou com um ótimo filme: "Preciosa" (assistam, por favor, assistam!), debaixo do aconchego dos cobertores, na companhia do meu filho e das minhas gatas aninhadas entre nós. Très, très bon!
"Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível que estou só
do que ficar à mercê de visitas adiadas, encontros transferidos."
|Caio Fernando Abreu|

7.6.10

Verdura

Verde é a cor da esperança. É a cor da fé, "aquele pássaro que canta quando a madrugada é ainda escura." |Tagore|.  

Verde é sinônimo de saúde: está em vários alimentos, no campo e no mar. Verde é a brisa suave, é a clorofila - o sangue das plantas.

Verde é sinal de que se pode avançar. É a indicação de que devemos prosseguir. Vá! Não olhe para trás. Não se prenda ao que passou.

O verde nos transmite calma, paz. Relaxa e equilibra.  

É também a cor que nos diz que algo ainda não amadureceu, não está pronto. O verde que nos mostra, através da natureza, que há tempo para todas as coisas. Tempo de desenvolver a tolerância, de ser paciente, inclusive. Esse é o verde que nos faz amadurecer.


"De repente
me lembro do verde
da cor verde
a mais verde que existe
a cor mais alegre
a cor mais triste
o verde que vestes
o verde que vestiste
o dia em que te vi
o dia em que me viste..."

|Trecho de "Verdura". Gravada por Caetano, em 1981.
Do álbum "Outras Palavras" / Letra de Paulo Leminski|

Eu tinha essa música gravada numa fita K-7. Ouvia sem parar.
Foi quando 'decobri' Caetano Veloso e devorava suas músicas.
Fase boa. Passou. Hoje nem sei por onde anda Caetano.

3.6.10

Não, Eu Não Me Iludo Mais

Por um bom tempo ela quis acreditar na remota possibilidade de tudo acabar bem. 

Conscientemente foi à beira do abismo e, sorrindo, fechou os olhos, pulou. Acreditava que suas asas poderiam ser construidas durante a descida, conforme leu em um dos contos de Ray Bradbury. 

Achou que poderia chamar sua atitude de coragem, mas sentiu as consequências na pele e viu que tudo não passou de uma insanidade sem tamanho. 

Foi durante a descida que percebeu seu grande erro. O chão estava mais próximo do que esperava e as asas não puderam ser confeccionadas a tempo. A queda foi imensamente dolorosa e as feridas até hoje não cicatrizaram. 

Por tudo isso, ela só tem uma coisa a dizer: não, eu não me iludo mais.