25.8.10

Pelo Avesso

Embora em minha cabeça acontecesse uma tempestade, eu não tinha nada para falar. Na verdade, eu não devo e não quero mais falar.

Esgotada. Foi me sentindo assim que sai dali.

Imersa em pensamentos e alheia a tudo, no caminho para casa resolvi mudar o trajeto. Sentei naquele parque, mais precisamente na praça mal iluminada da escola técnica. Procurei o lado mais escuro (e pedi a Deus que me protegesse) porque eu queria me esconder, ficar sozinha por um tempo. Ficaria ali até encontrar um pouco de alívio. Eu não tinha pressa.

Exorcizei alguns demônios - porque chorar nos despe e faz com que enxerguemos o pior que habita em nós - e expurguei a alma.

Sentindo um pouco de frio e desconforto, por ficar tanto tempo naquele banco duro, levantei e resolvi conhecer a Biblioteca de São Paulo, logo ali em frente.

Peguei o crachá de visitante e fui comunicada que tinha apenas 20 minutos, tempo em que estariam sendo fechadas as portas. Olhei para o relógio e me dei conta de que já eram quase 9 da noite.

Na recepção, o atendente me olhava com ar curioso; e a moça que me deu a chave do armário, idem. Que gente estranha, pensei.

Dei uma volta rápida pelos livros expostos e passei no banheiro. No espelho, a imagem refletida era essa: rímel borrado, olhos vermelhos. A estranha era eu!

Lavei o rosto e desci. Devolvi o crachá. Peguei minha bolsa no armário de nº 150.

Fui embora com a sensação de que havia sido virada pelo avesso. 

17 comentários:

Anônimo disse...

O que dizer nessa hora? O silencio ,e o puro retrato do sentimento dilacerado frustrado e reprimido que esta enraizado no fundo do nosso coracao. Saiba que apesar da dor, a esperanca e torcida pelo teu reerguimento me faz vislumbrar um futuro repleto de amor e serenidade.
Apesar da distancia como voce bem disse sera sempre meu ...

Valéria Sorohan disse...

É sempre a gente o "estranho", ainda mais quando as emoções saem pelos olhos. Mas cá pra nós, 20 min. dentro de uma biblioteca grande é muito pouco!


BeijooO*

Wanderley Elian Lima disse...

As vezes dói, mas esse mergulho no nosso íntimos nos faz muito bem, lava a alma e alivia as dores.
Bjux

a**A disse...

Muito boa essa viagem pra dentro da gente...necessária eu diria...Engraçado que tô escrevendo sobre isso...e vamo que vamo ") Beijos

Bia Prado disse...

Ai, a sensação que tenho é que está todo mundo sofrendo muuuuuuuuito!!!
Sofre mais não...
Você é tão linda, tão inteligente, tão tudo!
Por que a gente não consegue exorcizar a dor, né?
Beijo!

Lila disse...

Queridíssima...
É na dor que conseguimos separar o que vale e o que não vale a pena. Olhe pra dentro de si e reveja se essa dor vale a pena..

Bjs meus !

Princess Deluxxe disse...

acho q as vezes a gente precisa ser mesmo estranha. devemos nos deixar estranhar, pra q o mundo perceba q não somos feitas de pedra. temos sentimentos, podemos surtar, enlouquecer, discordar, sofrer, brigar... e dó depois, qdo acalmarmos, conseguiremos viver melhor.
=)

beijos

Vanessa Monique disse...

Nossa Amélie, q perfeito.
Estranha é a gente mesmo..kkkk
Vivendo por aí, se escondendo e axando ainda q o estranho é o outro.
:*

Franck disse...

Sartre disse: 'as pessoas no meu dia-a-dia infernal'...
Bjs*

Abafa e Se Joga. disse...

Ando ultimamente me virando pelo avesso pra poder entender o meu lado certo. Tem horas que essa visita ao meu íntimo é muito dolorida, mas sempre bem compensadora.

Beijos

Rafaela Bento disse...

ao menos percebeu q foi virada do avesso..estranho são eles!

J Araújo disse...

Quantas vezes olhamos no espelho e não nos reconhecemos. Um belo conto, parabéns!!

Bj

Jorge Manuel Brasil Mesquita disse...

Virada dos avessos
pelos livros cansados de ser adereços
e lombadas de apreços
que nos vestem as diabruras
dos tormentos e das tonturas
que nos afogam em gotas de chuva
escorrendo pela alma viúva
que só nos conhece
quando tudo se desconhece
da vida onde nada acontece.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 26/08/2010

Vanessa Souza Moraes disse...

20 minutos para uma biblioteca? Rs.

ROSANA VENTURA disse...

Ai que lindoooooooooooooo!
bjos

Rebecca Leão disse...

Quantas vezes a gente procura um lugar pra se esconder e não encontra. Porque tudo o que a gente quer é se esconder de nós mesmos. Do amor não correspondido que insite em se fazer presente, mesmo que a gente saiba de cór que não tem mais idade pra isso. Das frustações com pessoas que pensávamos nossas amigas, depois de termos desprezado todos os sinais que elas deram, e que estávamos cansadas de conhecer... enfim, do trabalho que parecia bom, mas que era uma colcha de armadilhas... a gente nunca aprende, não é mesmo? E chorar na rua causa estranheza, porque estão todos de armadura, uma armadura de alegria que se vende na farmácia, ou na próxima esquina... Fica triste, não. Saiba que você não é a única, que essa vida anda mesmo muito difícil... mas, vai melhorar. Bjs, Rebecca

Aline Calamara disse...

Gostei muito do seu blog. Parabéns.`Tens coisas muito parecidas comigo rs.
Também tenho um blog onde escrevo textos, dicas culturais etc. Vou adorar receber uma visita sua: http://prosadejanela.blogspot.com